top of page

Movimento de Refundação da APAI

A APAI constituiu-se como associação destinada ao estudo da arqueologia industrial e à protecção e salvaguarda do património industrial, em 1986. Na sua génese encontra-se uma outra associação regional - a AAIRL (Associação de Arqueologia Industrial da Região de Lisboa), fundada em 1980. O percurso associativo entre 1980 e 1986 foi esclarecedor da pertinência de uma organização deste tipo, dado que a AAIRL realizou as primeiras escavações arqueológicas de arqueologia industrial em Portugal, colaborou na classificação de imóveis industriais, organizou um dos primeiros Cursos de Arqueologia Industrial do país (Centro Nacional de Cultura, 1984), participou na Exposição de Arqueologia Industrial, realizada na Central Tejo (1985) e esteve na génese do I Encontro Nacional do Património Industrial (Coimbra, Guimarães e Lisboa, 1986). Durante este período foram também editadas algumas das primeiras publicações deste novo campo científico e patrimonial no país.

 

Com os associados destes primeiros anos, a APAI transformou-se numa das mais significativas associações culturais do universo do associativismo português, entre 1986 e a primeira década do século XXI, para além do seu lugar pioneiro e criador no âmbito do património industrial. Enquanto organização associativa chegou a ter um delegado e um vogal no TICCIH - The International Committee for Conservation of the Industrial Heritage, entre 1984-1992, na organização cimeira das Associações de Defesa do Ambiente, no INAMB (Instituto Nacional do Ambiente) e na Federação Europeia das Associações de Arqueologia.

 

Consta da sua actividade a realização de diversas intervenções arqueológicas (Coina, Pedreanes, Covilhã, Marinha Grande, entre outras);

 

  • de inventários do património industrial (Amadora, Seixal, Vila Franca de Xira, Montijo, Lisboa, etc.);

 

  • a elaboração de projectos de musealização (Covilhã, Marinha Grande, Museu Mineiro do Lousal, etc.);

 

  • o comissariado de exposições, nomeadamente do Vidro (no Museu Nacional de Arte Antiga e na Fábrica-Escola Irmãos Stephens), sobre os fornos vidreiros de Coina (no Barreiro e na Marinha Grande), sobre os "Empresários Portugueses e as suas realizações" (no Porto e Santa Maria da Feira), para além da edição de livros e de uma revista da especialidade, chamada Arqueologia & Indústria.

 

Contribuiu para a protecção e salvaguarda de edifícios e conjuntos industriais, que hoje fazem parte integrante do património industrial português, quer estejam classificados ou apenas inventariados e protegidos, neste ou naquele município. Interveio numa escala nacional, e não apenas local ou regional, no campo do debate crítico sobre a arqueologia industrial e afirmou-se como uma voz crítica das políticas culturais para o património português. Teve um papel relevante na formação de duas gerações de técnicos especializados que contribuíram, quer na defesa do património industrial, quer na transmissão de saberes, quer ainda no arranque da formação em arqueologia industrial na Universidade. A APAI organizou ainda encontros nacionais, ibéricos e internacionais, entre os quais a Conferência Internacional Intercalar do TICCIH, em Lisboa e Marinha Grande, sobre a História, Arqueologia Industrial e Tecnologia do Vidro (1989).

 

A APAI, em 28 anos de actividade, construiu um legado que não pode ser ocultado, nem delapidado. Pelo contrário, deve ser valorizado e potenciado. Como muitas associações de defesa do património, sofreu uma profunda crise interna que se reflectiu na sua constituição, organização e influência. São várias as razões que explicam a interrupção do seu lugar na história do associativismo português e da intervenção em prol da arqueologia e património industrial. Se por um lado, a própria crise do associativismo em geral gerou o desinteresse da sociedade portuguesa pelas estruturas deste tipo, por outro, as dificuldades inerentes ao cansaço de alguns activistas e o afastamento de outros, ocasionaram danos no cumprimento dos objectivos, na concretização das finalidades estatutárias e inclusive, na última fase que se acaba de viver, no abandono do próprio funcionamento da APAI. O período vivido, entre Janeiro de 2008 e Março de 2014 constitui um momento difícil que agora se pretende ultrapassar, tendo como horizonte de referência o legado associativo. Não importa apontar razões para este ou aquele problema. Devemos apostar agora, mais do que nunca, na refundação da APAI, como uma nova etapa que se quer vencer e se quer promissora para a construção de uma organização que esteja em permanência ao serviço de todos aqueles que, cada vez mais, pretendem dedicar-se ao futuro da Arqueologia Industrial em Portugal, à defesa dos diversos ramos do seu património e que venham a desenvolver as novas perspectivas, novos objectos, técnicas e metodologias da Arqueologia Industrial e Pré-Industrial.

 

A partir do ano 2000, mas sobretudo a partir de 2003-2004, assiste-se a uma renovação do interesse pela Arqueologia Industrial em Portugal, pela salvaguarda e conservação dos seus bens culturais e pelos museus industriais, mineiros e ferroviários. A publicação da Carta do Património Industrial, pelo TICCIH (2003), da Carta de Riga (2005) e dos Princípios de Dublin (ICOMOS, 2011) constituem uma afirmação categórica do lugar que ocupam os referidos bens culturais na sociedade globalizada, atendendo igualmente à sua integração nas listas do património mundial (UNESCO) e nas listas dos imóveis, conjuntos e complexos classificados dos diferentes países à escala mundial. Reconhece-se cada vez mais o valor dos bens culturais industriais, enquanto reserva patrimonial do futuro. Simultaneamente, a autenticação universitária da arqueologia industrial, permitiu que a disciplina começasse a ser ensinada em diferentes universidades portuguesas (Coimbra, Évora, Braga e Lisboa - FCSH e UA), permitindo a formação académica de centenas de futuros arqueólogos e historiadores. A defesa de teses de Licenciaturas (pré-Bolonha), de Mestrado e, recentemente, de Doutoramento contribuiu para uma nova fase da sua história, no quadro do ensino universitário, dando novas competências e saberes à futura geração de professores universitários, de arqueólogos e de técnicos nestas áreas do saber, sem esquecer os amadores, os entusiastas e todos aqueles que gostam simplesmente de conhecer e usufruir do património industrial.

 

No seio do Instituto de História Contemporânea (UNL), que recentemente albergou a Arqueologia Industrial, estão a desenvolver-se linhas de investigação arqueológica e de património industrial, onde se estudam as questões da arqueologia, da história e do património industrial, mineiro e ferroviário, como se sensibiliza para a sua protecção e se mobilizam as novas gerações para os desafios futuros destas áreas científicas e de salvaguarda, ao contrário do que se tem pretendido afirmar em diferentes ocasiões, quer no passado, quer no presente. Por outro lado, não seria curial deixar o património da própria APAI, ao abandono, dado que existe uma sede social, alguns arquivos documentais e fotográficos, uma biblioteca e uma história comum que importa fortalecer.

Foi atendendo ao futuro da Associação, que um grupo de jovens, investigadores, alunos e docentes e ainda antigos sócios e dirigentes associativos resolveram agrupar-se para poderem refundar a APAI, procurando pela via de novos corpos gerentes mandatados pela Assembleia Geral, proceder ao seu ressurgimento, reorganização e rejuvenescimento. Isto implica devolver a associação aos sócios, afirmando a capacidade de mudança que um movimento desta natureza comporta. Pôr em funcionamento a máquina associativa, fazendo com que ela participe na sociedade e na política cultural portuguesa. Estimular por todos os meios a investigação, a salvaguarda, a conservação e a divulgação dos edifícios (e respectiva arquitectura industrial), conjuntos, complexos, paisagens, bens da cultura técnica material e imaterial, para além das colecções museológicos ou museus constituídos ou a constituir, num horizonte associativo renovado, a curto, médio e longo prazo.

 

Este movimento implicou a inscrição de novos associados, que no momento actual ascende a mais de 20 inscrições, esperando-se que se amplie ainda mais, no quadro da própria refundação da APAI e da concretização dos seus objectivos estatutários. Dado o hiato vivido entre 2008 e 2014, pensa-se que - para resolver o saneamento financeiro e o refrescamento associativo - deverá dar-se uma oportunidade a todos os sócios para a afirmação da sua vontade de continuar e, simultaneamente, saldar as suas dívidas à APAI, pela via de modalidades mais eficazes de cumprimento dos seus deveres estatutários, tanto como condição da vida associativa, como meio de participação no futuro colectivo da associação, na consciência dos benefícios que poderão auferir pela inscrição e pertença comum.

 

O Movimento de Refundação da APAI está a preparar um plano e um programa de intenções para concorrer ao acto eleitoral. Vários anos de inactividade provocaram inúmeros danos na Associação e no legado associativo. O tempo foi implacável. Contudo, com base em princípios, ética e solidariedade associativa pretende-se afirmar a APAI, de novo, no contexto da cultura patrimonial e na frente da arqueologia portuguesa e industrial, com capacidade de apoiar todos aqueles que agora e sempre se revejam nos objectivos estatutários e no desenvolvimento da Arqueologia Industrial, do Património e da Museologia Industrial.

 

Lisboa, 27 de Fevereiro de 2014

 

Pelo Movimento de Refundação da APAI

 

Alberto Guerreiro

Cláudia Duarte

Dácil Perez

Deolinda Folgado

Fátima Mendes

Filipa Santos

Inês Lopes

Isabel Soares

João Sequeira

Jorge Custódio

Jorge Russo

José Manuel Mascarenhas

Laura Ferrer

Luís Cruz

Luís Filipe Gomes

Mafalda Paiva

Paulo Oliveira Ramos

Pedro Aboim Borges

Rui Marques

Sandra Marques

Sofia Lovegrove

Susana Domingues

Susana Pacheco

Tiago Moleirinho

Virgolino Jorge

Órgãos Sociais eleitos para o Triénio 2014-2017
 

 

 

Direção

 

Presidente – Jorge Custódio

 

Vice-presidente – Pedro Aboim Borges

 

1.º vogal – Susana Domingues

2.º vogal – Rui Marques

3.º vogal – Sandra Marques

 

Suplentes

 

1.º vogal suplente – João Sequeira

2.º vogal suplente – Mafalda Paiva

 

 

 
 
 
Mesa da Assembleia

 

Presidente – António Vasco Guimarães

 

Vice-presidente – Pedro Inácio

 

Secretário – Filipe Silva

 

 

Conselho Fiscal

 

Presidente – Luís Filipe Gomes

 

Secretário – Alberto Guerreiro

 

Relator – Jorge Russo

 

 

 
 
 
 

Conselho Geral/Comissão Científica

 

Coordenadoras Principais

 

– Deolinda Folgado

 

– Maria Fernanda Rollo

 

 

 

 

 

APAI - Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial

Rua Tenente Espanca, 40 A
1050-224 LISBOA

 

apai.secretariado@gmail.com

© APAI 2025

bottom of page